domingo, fevereiro 28, 2016

Os anos da Rita


A amizade que me liga à Rita Ferro não tem data. Foi a Paula Mascarenhas que nos apresentou porque dizia que nos íamos dar muito bem. E temos dado.
A nossa relação tem pontos muito comuns e depois outros em que não podemos divergir mais. Como nos achamos mutuamente muito inteligentes, acabamos sempre por gargalhar daquilo que nos separa que é pouco face ao que nos une.
Na sexta feira a Rita fez 61 anos - tem essa enorme grandeza de não disfarçar a idade - e reuniu mais de 50 amigos íntimos. E por mais que isso surpreenda, o facto é que eles estão sempre lá, seja lançamentos , seja aniversários, seja o que for que ela faça e os queira ao pé de si.
Não pode deixar de se gostar de uma mulher bonita, inteligente, culta, educada, amiga do seu amigo e que escreve muito bem.
Eu diverti-me imenso, revi amigos comuns, estive à conversa com o ex marido dela, o Bernardo que  eu adoro - ela costuma dizer que é o nosso homem comum, deixando pairar no ar coisas vagas de que só ela é capaz - e descobri dois companheiros de mesa que não podiam ter sido melhor escolhidos. A noite foi em cheio.
A Rita é única, irrepetível e ontem estava de meter inveja à melhor das suas amigas!

HSC

terça-feira, fevereiro 23, 2016

E vivam os portugueses!


Hoje acordei assim. Deve ser porque o OE 2016 foi aprovado com os votos do PCP e do BE e o Sporting anda com imensa sorte. Há lá país melhor que o nosso onde tais milagres acontecem!

HSC

sábado, fevereiro 20, 2016

Os génios


Vivi durante um certo período da minha vida rodeada do que então se apelidava de "os jovens turcos". Eu chamava-os de génios, pois faziam-me sentir como a mais destituída das criaturas. Esse flagelo de genialidade durou, na minha vida, cerca de dez anos. No fundo, até eu começar a compreender que o mesmo grupo de pessoas não podia ter sempre razão e eu não podia ser sempre uma débil mental.
O tempo, que os havia de separar para seguirem as suas vidas, permitiria também que eu os olhasse com outros olhos. Uns tiveram fácil sucesso que pouco durou pós 25 de Abril. Outros , qual cortiça, souberam manter-se à tona da água, vogando entre as ideologias como quem voga em mar brando ou encapelado.
Hoje, dos sobrevivos, o menos que se poderá dizer é que não deram pela passagem do tempo. Querem, a todo o custo, manterem-se com referência de uma vida que já não existe e que nem historicamente terá grande valor. Diria que os poucos que restam...andam por aí!

HSC

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

O bacon, o ovo e o suicidio



Hoje acordei muito cedo - tenho um livro para sair em Maio, por isso não há volta a dar a preguicites agudas - e tomei o pequeno almoço a ouvir o noticiário, o que já pode denunciar que me não terei levantado no melhor dos meus estados. De facto, acompanhar a primeira e mais suculenta refeição do dia com o desenrolar dos tristes acontecimentos que rodeiam o mundo em que vivemos, não deve ser o melhor índice de sanidade mental. Provou-se.


O tema central foi a taxa de suicídios no nosso país e o que ela representa, tendo como pano de fundo as tremendas depressões que andam por aí. Do que consegui apanhar o nosso país tem alta taxa de suicídio, embora dela se não possam tirar grandes conclusões. Aqui fiquei com dúvidas sobre se o médico perceberia alguma coisa de estatística, confesso.


Depois aprendi as mulheres deprimem mais do que os homens - pergunto porque será, eu que tenho já uma resposta pronta?! - mas são estes que mais se suicidam. Fiquei por aqui.


O bacon e o ovo estrelado começaram a ter vida própria e pareceram-me, de imediato, um caminho aberto para o aumento do colesterol e este uma rota para a depressão...


Como não admito deitar comida fora, sem que ela esteja estragada, lá acabei a refeição bastante deprimida e decidi bolsar aqui a minha apreensão. Eu sei que não se pode partilhar sempre coisas boas, mas tenhamos de convir que este tipo de notícias, se não faz bem aos saudáveis, corre o risco de matar mesmo os doentes!

HSC

terça-feira, fevereiro 16, 2016

A doença


"O cardiologista é que sintetizou rapidamente ambos os conceitos desta relação: o amor é uma doença crónica, a paixão é uma agudização. Com o primeiro habituamo-nos a viver todos os dias, com o segundo aguardamos uma exacerbação. Trata-se, no fundo, da gestão contínua de uma das patologias mais prevalentes na espécie humana."


Li este post num blog pelo qual passei e, por mais tentativas que tenha feito não consegui re-encontra-lo. Tomem-no por bom e desculpem esta minha incapacidade. 
Não pude deixar de me rir com a afirmação  do amor ser uma doença e depois do facto de ela se tornar crónica. Deixo a paixão - como uma espécie de erisipela aguda - para o fim.
Mas se alguém considera o amor uma doença, porque não acaba com ela ou com ele? Porque se habitua à maleita e a torna numa forma crónica de de sofrimento?
Não compete ao cardiologista impor tratar da mazela. Quando muito, compete-lhe sugerir os meios - medicamentos ou terapia - para o paciente, caso queira, acabar com ela. Mas terá sempre que ser este a fazer a escolha. Todavia, se há quem escolha ser doente, que pode o clínico fazer? Lembra-me um colega casado e infeliz que se não separava da mulher porque isso também lhe trazia infelicidade e ele não sabia qual seria a pior delas...
Já quanto à paixão ser uma agudização da primeira patologia admito que possa ser verdade. O estado de paixão, esse que tantos de nós desejamos viver, tem todas as características de alguma obsessão, de algum fanatismo. Tudo passa a girar à volta do objecto da paixão e não há nada a fazer que não seja consumi-la. E o que isso consome também de nós!
Já quanto à gestão contínua desta patologia sugiro que se fuja dela a sete pés, porque o custo benefício de tal operação, conduz inevitavelmente à falência, Orgânica ou financeira, claro! E não sei qual é pior!

HSC

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

A alegria de estar feliz!


Para mim a alegria é feita de pequenas coisas que me dão prazer. Hoje, por exemplo, acordei às 06:30 da manhã. Abri a janela do meu quarto e ouvi o primeiro pregão da Primavera que se aproxima. Inspirei tão fundo como se o mundo fosse parar e expirei muito devagarinho.Fiz isto três vezes.
Pensei em todos os problemas que tinha tido, nas pessoas que, como o meu irmão mais velho já se não dão conta de nada disto, naqueles que perderam tudo o que eu ainda tenho e agradeci a Deus aquilo que Ele afinal continua a dar-me, embora me tivesse levado o Miguel.
Aliás, é sempre nele que penso, quando me sinto feliz. Porque, acredito, e como lembra a foto que ilustra este post, tenho a noção de que aproveitei muito bem com ele, todas as pequenas coisas que a vida nos deu!

HSC

sábado, fevereiro 13, 2016

Uma história de amor no Dia dos Namorados (6)


Foi há muitos anos, no principio da terrível doença da minha mãe. Era necessário que fosse a Londres ser vista por um médico que, ainda hoje abençoo, pelo carinho que lhe dedicou, pelo que alguém aqui teria de receber a renda de um pequeno apartamento que ia alugar. Lá fiquei eu encarregue da tarefa enquanto o meu irmão mais velho a receberia na casa londrina uma vez que era diplomata acreditado na capital.
Tinha-me divorciado há já uns anos e a minha Mãe entendia que era altura de refazer a minha existência, apesar de eu - tonta que era! - continuar a julgar que havia perdido o homem da minha vida. Assim, quando me falou do economista luso inglês a quem alugara a casa, tive como que uma pré-monição de que ali havia a sua mão casamenteira.
O encontro para acerto de contas não podia ter corrido pior . Eu estava com pressa para ir ver o Vinicius de Morais e o importante administrador de uma grande empresa estrangeira, pareceu-me um pouco atarantado. Pensei para comigo que "aquele tal grande gestor" não desenvolvia o tema do pagamento e só me pedia que o deixasse levar-me ao concerto onde ele também ia. Expliquei-lhe que, antes, ainda me iria encontrar com uns amigos, mas o homem não descolava. Levava-me onde fosse preciso...
Resolvi que aceitar seria o melhor e lá me sentei, pela primeira vez, num Jaguar, facto que deixou os meus amigos em pulgas. No dia seguinte, 14 de Fevereiro, quando cheguei ao trabalho, o meu contínuo muito atrapalhado, disse-me que ia ter uma surpresa . E que surpresa, de facto!
Ao abrir a porta do gabinete tinha seis corbeilles de flores cada uma com seu cartão que dizia apenas uma palavra desta frase "Jante" "comigo". "Por" "favor" "diga" "sim"!
Passado um ano estávamos casados...E foi, afianço, uma bela história de amor que sempre ligarei à minha Mãe, no dia dos Namorados!

HSC

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

O que sinto



Não sou médica, nem psicóloga.Tão pouco sou investigadora ou estudei a fundo o tema da homossexualidade. Sou heterosexual porque nasci assim e me sinto bem desta forma. Como calculo que aconteça o mesmo com aqueles que nasceram com características diferentes da minha. Sempre respeitei pouco as chamadas discriminações, mesmo quando estas sejam pela positiva.
Vem tudo isto a propósito da adopção de crianças por casais do mesmo sexo. É pelo "sentimento" que sou a favor. Como, aliás, me acontece em muitas outras coisas na minha vida. É, sim, por esse sentimento de amor de que uma criança carece, que sou a favor.
Não tenho dúvidas? Tenho algumas, porque nos primeiros tempos as crianças podem ser cruéis umas com as outras . Mas tenho, sobretudo, uma certeza: é que numa família as crianças estão melhor do que numa instituição. Seja essa família  hetero, homo ou até mono parental.
Percebo que a questão é complexa. Como o foi o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas por eu ser hetero terei, alguma vez, o direito de negar os direitos dos que não nasceram como eu?! Não tenho. Nem quero ter. E lamento profundamente que numa sociedade aberta como a nossa os homossexuais e as lésbicas ainda sejam vistos como fenómenos de violência e de escárneo. Ou que lhes seja negado um direito - como casal - a poderem fazer aquilo que a lei, sendo solteiros lhes permite. Que é a de poderem adoptar um filho!

HSC

terça-feira, fevereiro 09, 2016

O desejo a que temos direito.


Há quem afirme que com a idade o desejo desaparece. Falso. Ele continua lá. É talvez menos sôfrego mas é mais ousado e sobretudo menos apressado. As pessoas é que parece terem menos coragem de o vivenciar, de o procurar. E é uma pena, porque a idade desinibe e torna mais intensa e gratificante a sua prática. 
Desenganem-se aqueles que acreditam que, ao envelhecer, o seu potencial de erotismo diminui. Transforma-se, isso sim. Mas não para pior. Ao contrário, sendo menos imediatista, possibilita a descoberta de novos caminhos e portanto de outras sensações, antes menos procuradas.
Penso - sempre pensei - que o desejo deve ser satisfeito de forma consensual, mas sem inibições já que o corpo é um dos grandes mistérios da nossa vida e explora-lo é quase uma obrigação. Daí que seja profundamente lamentável não encarar a sexualidade das pessoas mais velhas como uma fonte inesgotável de juventude e algo que nos traz uma felicidade acrescida!
Liberte-se de preconceitos e aprenda a educar a sensualidade, porque é ela que lhe abrirá as portas da sexualidade de que não deve prescindir!

HSC

terça-feira, fevereiro 02, 2016

O luxo de poder estar só!


Sempre gostei de ter o meu espaço próprio e, sobretudo, o meu silêncio. Preciso disso como do pão para a boca. Possivelmente porque gosto de mim e gosto de estar comigo.
De tal modo sempre foi assim, que até no meu tempo de maior felicidade, tive a sorte de poder partilhar com o amor da minha vida esta forma de viver, já que ele sentia o mesmo.
É claro que gosto de viver num espaço comum onde tudo se torna possível. Mas, depois, para ser feliz, careço ter o "meu próprio espaço, silencioso ou com as melodias de que mais gosto" onde raramente permito que me interrompam.
E mesmo quando tinha uma casa muito pequena, sempre tive o meu canto, aquele onde, quando todos dormiam, eu estava comigo própria e no qual as grandes decisões pessoais eram tomadas.
Muitos amigos me dizem que este bonomia que sinto e de que falo se deve ao facto de ter à mão muito bons amigos. Mas não é apenas isso, porque já perdi muitos deles.
É um sentimento mais fundo, que vem de dentro e que até tem algo de onírico, que não deixa, ao mesmo tempo, de me fortalecer. Trata-se de um verdadeiro luxo para aqueles que o saibam vivenciar!

HSC

domingo, janeiro 31, 2016

Os novos velhos


Obedeço muito pouco a critérios rígidos. Gosto da minha liberdade talvez porque ela me foi difícil de obter. Primeiro foram os Pais. Depois foi o marido, que sendo um homem de profunda cultura, tolerava bastante mal quem não pensasse como ele. Tudo era subtil, nada era forçado. Mas, à distância dos anos, penso que essa era, afinal, uma forma de impor os seus pontos de vista, ao deixar-nos com a sensação de que éramos inúteis ou medíocres por não pensarmos da mesma forma.
Hoje tudo me aparece muito claro mas, na altura, foi causador de muito sofrimento e de uma falta de confiança em mim própria, de que só recuperaria com o divórcio.
Na altura, sendo o seu grupo considerado progressista, eu era a reaccionária de serviço. Hoje rio-me porque os que ainda estão vivos, parecem-me de um reaccionarismo atroz, enquistados nas suas glórias passadas e incapazes de acompanhar o mundo actual. Pensam como velhos de um Restelo que já não existe, não percebem as novas tecnologias, mas continuam a insistir em moldar o mundo à sua imagem e semelhança. E ficam felizes quando alguém se lembra de os convidar a dar a sua opinião. Enfim, existem, falam quando não devem e calam quando deviam falar.
A estes opõem-se outros, igualmente velhos, mas que parecem não ter idade. Acompanham as transformações da sociedade em que vivem e não abdicam do gosto de se transformarem com ela. Parece que não têm idade e o seu relacionamento com os jovens só mostra como estão vivos. Sabem fazer silêncio quando é preciso e sabem fazer-se ouvir quando é necessário. São os novos velhos. Que constituem, inegavelmente, um dos pilares do nosso mundo actual. Que os não despreza e antes os sabe apreciar. É um dom poder ser-se assim!

HSC

terça-feira, janeiro 26, 2016

Sexismos


Nunca fui apologista do "regime de quotas" para as mulheres. Por várias vezes manifestei que entendias as razões do mesmo, mas não as aprovava. Não gosto de discriminações de qualquer natureza, nem mesmo daquelas que têm carácter positivo. A nossa luta sempre foi feita na base daquilo que somos e não na base do que os "outros" querem que sejamos. Continuo a pensar o mesmo e a acreditar que é pelo valor pessoal que devemos ser escolhidas e não pelo género a que pertençamos.
Dito isto, julgo inadmissível que um partido político - neste caso o PCP, paladino da igualdade -, ouse avaliar, numa piada sexista, o trabalho desenvolvido por uma ou duas candidatas à Presidência da República, com base no seu aspecto físico e muito desrespeito pela causa pública que corporizam.
Marisa Matias - goste-se ou não dela e admitindo que seja a visada - foi uma ganhadora, como já antes Catarina Martins ou Mariana Mortagua haviam sido. São factos e contra estes não há argumentos. Ou não devia haver. É por esta e por outras que as quotas não me agradam. É que elas irão servir sempre como arma de arremesso contra as próprias mulheres que desse modo se arriscam a nunca ver reconhecido o seu real valor.
O caminho faz-se caminhando e estas mulheres, como muitas outras menos conhecidas, mostram que os tempos mudaram e uma altura virá em que o "género" já não terá grande importância. Resta o peso da maternidade que continua a ser impeditivo de algumas escolhas. Mas basta que a sociedade o passe a olhar com a atenção que ele merece e a legislar em conformidade. Basta ter a coragem de o enfrentar.

HSC

segunda-feira, janeiro 25, 2016

O fenómeno Marcelo


Pode não se gostar de Marcelo Rebelo de Sousa e até ter razões para isso. Mas é difícil ficar-se indiferente ao fenómeno que ele corporiza, ao realizar um sonho, que se adivinha antigo, da forma como ele o fez. É a vitória de um homem só por mais que se diga que a sua base de apoio é a direita. Ganhar em todos os distritos, sem cartazes e sem máquina partidária, numa das mais económicas campanhas presidenciais, não pode ser apenas isso. Marcelo sozinho representa bem mais do que a direita. É um facto!
E é este facto que vale a pena ponderar. Tanto no governo como na oposição. Porque ter o país todo verde - a cor que o representa - não é um feito para qualquer. Estou à vontade para o dizer porque não sendo uma convicta marcelista, o fenómeno que ele representa está longe de me ser indiferente.
Como também me não é indiferente o que aconteceu a Maria de Belem, que vale seguramente mais do que os votos que recebeu. Também aqui julgo que o PS tem matéria séria para pensar. É que nem o facto de António Costa ter falado à nação como PM e não como lider do partido, altera este facto. Pelo contrário, até o torna mais premente.
Uma última palavra para o discurso de Sampaio da Novoa que merece ser salientado, quando refere que, a partir daquela altura, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, era o seu Presidente da República. Nem todos foram capazes disso!

HSC

domingo, janeiro 24, 2016

Acontece...

Fujo dos médicos como Diabo da cruz, convencida que estou, que, se os consultar por rotina, entro saudável e saio doente. Tinha duas excepções a tal regra. Mas, depois da morte do Miguel, até estas se diluíram, o que analiticamente não deixa de ser significativo. 
Todavia, costumo respeitar os tratamentos aconselhados e, preventivamente, tomar as respectivas precauções. Foi assim que me vacinei contra a gripe e não fiz a da pneumonia por, ao fim de 3 anos, a ultima que tomei se considerar ainda activa.
Pois bem, apesar de tudo isto apanhei uma carraspana tão forte que atirou comigo para a cama e para um estado que, pela primeira vez, me assustou de verdade e pôs em causa a minha habitual "imortalidade". 
Começou com uma espécie de constipação, mas depois tornou-se num estado de mau estar generalizado, com as vias respiratórias e as amígdalas no seu pior. Antibiótico a dobrar, e um não funcionamento físico que derivava, em simultâneo, da doença, dos tratamentos e das noites sem dormir. Enfim uma lástima!
Assim, pensei que nem a missa nem o voto contariam com a minha presença. E, devo confessar, mau grado meu, que, se à primeira eu achava que poderia faltar, ao segundo eu não queria, mesmo, deixar de ir. Mas como gosto muito pouco de pedir favores aos familiares - somos bastante confiantes na auto-suficiência de cada um - tinha decidido mandar chamar um carro para ir cumprir o dever cívico. 
Curiosamente a Uber, num gesto muito inteligente, decidiu fornecer aos  seus clientes um serviço gratuito para este efeito, que eu me preparei para usar. Afinal, uma boleia caridosa havia de me levar e trazer sã e salva para casa. Aqui me têm, em estado muito manhoso, mas com o dever cívico cumprido. Nosso Senhor, desta vez, terá que me perdoar o tê-lo preterido. Acontece!

HSC

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Dar folga à Inteligência!

Há dias um amigo confessava-me a estranha sensação de insegurança com que andava, sem perceber porquê, visto que a vida dele e a sua saúde não mostravam qualquer alteração. O caso não me teria preocupado particularmente, se não fosse a frequência com que alguns outros, em conversa, terem já abordado a questão de com eles se passar algo semelhante.
Ora nas minhas amizades não existem - sorte minha - grandes pessimistas. Há umas e uns mais cépticos em relação a determinados assuntos, mas nada, suponho eu, que justifique este pano de fundo.
Cogitando sobre o assunto, a explicação que me parece mais plausível vem da demasiada atenção com que grande parte deles segue os noticiários e o futebol. É impossível, nas actuais circunstâncias, tal não acontecer. As desgraças no mundo e no país abrem a maioria dos telejornais e o futebol, essa alegria nacional, parece atingida por uma vaga de intempéries sucessivas. Até eu, que sou sportinguista, de vez em quando apanho uns sustos...mas vá lá não me deprimem!
Aconselhei este meu amigo a fazer uma pausa, a dar uma folga à inteligência, a ver os canais Fox que repetem dezenas de vezes os mesmos episódios, a fixar-se na gastronomia - além dos nacionais há uns na televisão francesa excelentes - e a cozinhar. Tudo, afinal, o que um homem não costuma fazer...

HSC

terça-feira, janeiro 19, 2016

Histórias de amor (5)

Decidimos todos que a festa do Rodrigo e da Maria do Carmo não se faria, porque ele tinha partido. Mas não a queríamos desamparada. Por isso enchemos a casa deles de carinho não a deixando meter solitária a chave na fechadura. 
Primeiro ela não nos queria lá, mas como não arredámos pés, deitou-se e duas horas depois juntava-se a nós na sala de jantar. Eu percebi nessa altura que, agora, teríamos de ser nós, os seus amigos, a revezar-nos para não a deixar sozinha.
Há lutos solitários, silenciosos, que se arrastam como uma morte viva. Há outros que carecem de presença, de som e de vida. A Maria pertence a esta última categoria, pelo menos, até se re-centrar e aprender a conviver com o som do silêncio. Aquele que vem do soalho, dos móveis que rangem, das vozes na rua. Essa é uma escola dura, a da aprendizagem de viver consigo próprio e de tirar prazer disso.
Sei bem o preço desse caminho e o profundo auto conhecimento que ele pode trazer. Só espero que o amor dos amigos - aquele que nunca me faltou - a compense, a ela, da perda que sofreu!

HSC

segunda-feira, janeiro 18, 2016

João Gilberto


João Gilberto - um cantor sem idade - em 2008, no show de comemoração dos 50 anos da Bossa Nova. Uma maravilha!

HSC

Histórias de amor (4)

Ela é médica. Ele era dono de uma loja sem qualquer pretensão. Nada, à partida, os aproximaria, porque até o estrato social de onde cada um provinha era muito diferente.
Um dia encontraram-se num café  que não ficava, sequer, nos seus locais de percurso habituais. O carro dela tivera uma pane e o abrigo mais próximo para esperar auxílio fora uma leitaria. Ele andava perdido à procura de uma rua que não conseguia encontrar. Entrou ali para ver se alguém conhecia o tal local. Por uma rara coincidência, ela conhecia bem a morada porque tinha lá uma paciente que visitava com regularidade. Juntaram-se duas necessidades e o carro dele levou-a casa, depois dela lhe sinalizar o endereço.
Os meses passaram e a história foi esquecida. Mas o que tem de ser tem muita força e, uma noite, num choque de automóveis, o ferido foi ele. E a médica de serviço no hospital que o assistiu foi ela. Desde então não mais se separaram. Até hoje, que ele foi a enterrar. Amanhã fariam 50 anos de casados e eu estaria na festa que ambos tinham preparado!

HSC

Histórias de amor (3)


A política, quando exercida com profundo empenho, pode também ser o relato de uma história de amor. Ou de uma vocação, o que não é, afinal, muito diverso. E quando não toma exactamente essa forma, tem normalmente por detrás de si, algo que se lhe assemelha.
Não é por acaso que religião, futebol e ideologias se não discutem calmamente e são marcadas por um tal ardor que mais não é que uma forma de paixão.
Quis o destino que apenas me motivasse o primeiro destes temas e já tardiamente na minha vida. Mas sou incapaz de o abordar com o calor que outros têm. Não porque me interesse menos ou porque lhe dê menos importância, mas porque fico aflita quando vejo gente a gritar, a impor o seu ponto de vista, enfim, a tentar liquidar o seu adversário.
Porém pode perguntar-se se fora destes temas eu não reajo doutra forma. Creio ser sincera ao responder não. Quem, como eu, vê o que se escreve a favor e contra um filho meu, não pode dar-se ao luxo de ter estados de alma com o que lê. Porque, se fosse o caso, eu já estaria hospitalizada...
Confesso que gostava, por um período muito curto, de ser capaz dessa chama que envolve quem faz política por paixão. Só para sentir essa vibração por uma ideia e ver se ela é muito diferente daquela que se sente por uma pessoa. Mas não aguentaria jamais o confronto que transforma o adversário num inimigo. Deve ter sido pr isso que Deus me não bafejou com tal qualidade...

HSC

domingo, janeiro 17, 2016

Histórias de amor (2)

Há temas e situações que a nossa mente entende, mas às quais o nosso coração tem dificuldade em aderir. Eu compreendo que a natureza dotou certas pessoas com característica diferentes das minhas mas, por vezes, tenho dificuldade em me colocar na posição delas.
Vem este intróito a propósito da transexualidade, fenómeno que sei existir, de que hoje já se fala, mas de cuja vivência só nos apercebemos quando vimos um filme como a Rapariga Dinamarquesa. De facto, a classificação tão difundida entre nós, da "normalidade", faz com que tudo aquilo que não caia dentro dela, acabe por nos perturbar.
A transexualidade que reporta, no fundo, à divergência entre o género com que se nasce e aquele com que nos sentimos é um drama terrível. Nascer-se homem, viver-se como tal e sentir-se mulher, ou vive versa é algo, para mim, dificilmente imaginável no quotidiano, apesar de intelectualmente o assunto me não levantar qualquer espécie de dúvida ou constrangimento.
Pois bem, ver a história de amor de um casal feliz, transformar-se num pesadelo, porque um deles sente que não pertence ao sexo com que nasceu é altamente perturbador, sobretudo porque o amor continua a existir, mas a sua expressão física se tornou impossível. O que nos levaria a perguntar, o que é, afinal, o amor, quando se acompanha uma história como esta!

HSC