sábado, abril 16, 2016

O cartão da cidadã


Eu tenho um enorme amor pelo meu Bilhete de Identidade, que é vitalício e com o qual gostaria de viajar para o outro mundo. E pensei que poderia ser assim, quando de repente, por uma qualquer razão de que me não lembro, sou informada de que teria de o substituir até 1917. Eis a conversa:
- a senhora tem que substituir este BI pelo cartão do cidadão.
- mas esse BI já é vitalício.
- não minha senhora. Agora há uma disposição que obriga a que mesmo esses cartões sejam renovados.
- e se a pessoa estiver acamada?
- continua a ser obrigada a faze-lo e para isso deslocar-se-á um  funcionário sua  casa para o fazer.
- e ficam vitalícios?
- ah! isso não. Têm de ser revalidados de cinco em cinco anos.
- estou a ver. Mesmo quase no caixão, vêm verificar a identidade e renová-la, não vá haver no céu ou no inferno, discrepâncias... Muito inteligente o sistema!

Isto é o que eu denomino um saque com força de lei. O prazo de validade do cartão de cidadão e os custos de sua renovação, bem como a pretensão de manter a obrigatoriedade dessa renovação na velhice, esteja a pessoa acamada, senil, ou sendo por qualquer outra forma impraticável a sua deslocação para o efeito, são tudo formas do Estado obter receita a todo o custo, sem sequer procurar um mínimo de decência - nem que apenas aparente - nas suas opções.
Espero que o ministro da tutela reveja esta situação, que é mais do que revoltante para todos aqueles cuja idade não justifica que assim se proceda.
E já agora, se sou obrigada a faze-lo, quero um "cartão de cidadã" que é o que eu orgulhosamente sou. Haja também respeito pelo género!


HSC

5 comentários:

maria madeira disse...

Começo este meu comentário pedindo desde já desculpa pela pergunta que vou fazer em relação à parte de "manter a obrigatoriedade dessa renovação na velhice". É que ouvi há algum tempo nas notícias um caso de um filho que teria morto o pai só para ficar a receber a sua pensão. Do que me lembro da noticia, tinha enterrado o pai no quintal e dizia às pessoas que ele se tinha ausentado (penso que foi isto). Ora, o que me leva à tal pergunta é, se o facto de existir a tal obrigatoriedade de renovação do cartão do cidadão em pessoas de mais idade, se isso de alguma forma não impedirá casos como este?! Não sei, digo eu... Talvez, de alguma forma, salvaguarde estes casos. A partir do momento em que os próprios se têm que apresentar para a renovação, ou nos casos em que não seja possível alguém da instituição se deslocará até casa da pessoa, talvez impeça algum oportunismo (quem sabe o poupar de uma vida) por parte de quem está sempre a engendrar este género de coisas.

PS: Isto do BE é no mínimo caricato... pelo menos deu a origem a que o país todo se risse um pouco, andamos todos a precisar de rir um pouco :)))

João Menéres disse...

Também tenho um BI ( ainda dos antigos ) que diz que é VITALÍCIO. É um documento OFICIAL !
Se é vitalício é para SEMPRE !
Não vou renovar coisa nenhuma, era o que faltava !

Melhores cumprimentos.

Anónimo disse...

É que eles,além de bolsarem,metem-nos a mão na bolsa sem nós querermos.Infame.
Zézinho

Anónimo disse...

O cartão de eleitor que ponha as barbas de molho.Espero não dar ideias.
J

Dalma disse...

E pensar que quando fui levantar o antigo BI e verifiquei que dizia VITALÍCIO fiquei em choque! Senti-me velha e que me era dada uma espécie de "guia de marcha". Quando o CC entrou em vigor fui de imediato substituir o tal "vitalício" e, não só fiquei com menos cartões na carteira como me tirou das costas o peso do definitivo!!
Como somos todos tão diferentes!